
O guitarrista Lúcio Maia, fundador da Nação Zumbi, cometeu um dos melhores discos da música brasileira em 2007 com “Homem Binário”, sua primeira incursão solo.
Melhor ainda foi poder acompanhar aqui em Sampa vários shows do projeto, com o bonde invariavelmente colado na boca do pequeno palco do saudoso Studio SP da Vila Madalena. Era como se estivéssemos assistindo um dos melhores guitarristas do Brasil na sala de casa.
À medida que a banda (Lúcio, Toca Ogan na percussão, Dengue no baixo e DJ PG nos scratches) ia amadurecendo ao vivo, Lúcio Maia foi incorporando novos elementos e releituras ao shows, como versões para “Computer Love”, do Kraftwerk, e “I and I Survive”, do Bad Brains.
Em um show de janeiro de 2008 no festival Humaitá pra Peixe, no Rio, Maquinado soltou uma pérola da liberdade de expressão e do sarcasmo. Introduziu “Pau no Cu do Papa” _inédita em disco_ falando sobre a “necessidade de se exprimir”. “Você precisa lutar pelo que você quer dizer”, disse.
Misturando samplers da voz de João Paulo II em visita ao Brasil, Maia despeja idéias como “o papa fala uns 40 idiomas e só ouve ele mesmo” e “o papa é um Antonio Ermírio de Moraes indo lá na casa dos operários levando uma Cereser de final de ano, fazendo o papel dele, de grande empresário, visitando o Brasil, maior pais católico do mundo”.
“Porque aqui quem é da umbanda é catolico, quem é protestante é católico, todo mundo descamba pro católico.”
Também pergunta se a platéia confia “em um papa que não usa camisinha”. “Mó sujeira, dom”, comenta, após o “não” do público. Conclui dando ao papa o título de “símbolo-mor da industrialização do sentimento e da industrialização das almas”.
Adorei o caráter transgressor da performance, sobretudo em um país como o Brasil, de tradição católica arraigada até o osso e onde o ateísmo ainda é alvo de muito preconceito e desinformação.
E qual não foi minha surpresa ao ouvir Maia dizer, em um show aqui em Sampa posterior ao do Rio, que iria tocar apenas o instrumental da música, pois chegara à conclusão que não é bom mexer com a fé religiosa das pessoas. Àquela altura já conhecíamos a música, pois o show do Humaitá pra Peixe já havia vazado na net. Resultado: a mineirada entoou tão alto o refrão empalatório que Lúcio resolveu se soltar e cantou tudo de novo!
Baixe pelo link abaixo o show do Maquinado no Humaitá pra Peixe (ótima qualidade, gravado da mesa de som) e não perca a performance memorável de “Pau do Cu do Papa”, antes que a patrulha ideologico-religiosa enquadre Lúcio de vez!
http://rapidshare.com/files/107722049/Maquinado_-_ao_vivo_no_Humait__pra_peixe.zip
01 - Zumbi
02- Melô Do Bruce Lee
03 - I And I Survive
04 - Sem Conserto
05 - Samidarish
06 - Yekermo Sew
07 - Eletrocutado
08 - Gorilla Grip
09 - O Dia Do Julgamento + Computer Love
10 - O Som
11 - Juízo Final
12 - Je T aime Moi Non Plus + Cheater
13 - Vendi A Alma
14 - Pau No Cu Do Papa
crédito do disco: blog Som Barato
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