quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Quem são os responsáveis?

Para toda crise procuram responsáveis. Acontece que caímos na ilusão de acreditar que os culpados são sempre os outros. Para piorar deixamos para as gerações futuras a responsabilidade de consertar nossos erros. Quanta irresponsabilidade...

Muitos de vocês já assistiram esse depoimento comovente de uma jovem canadense de 13 anos na Eco 92. Mesmo assim, o conteúdo continua atual e pertinente para uma sociedade que está doente, segundo Frijot Capra.

Procurem escutar e ver o vídeo lembrando que os adultos que a jovem menciona, não são somente as grandes lideranças políticas ou empresarias, mas também pode ser você!


quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Um fim de dia em Buenos Aires




Para começar a temporada de posts portenhos, um assunto que tem mobilizado o debate público por aqui.
Há duas semanas, o governo Cristina Kirchner resolver anunciar a intenção, via projeto de lei, de privatizar o sistema de previdência privada obrigatória. Aqui não é como no Brasil, onde os aportes obrigatórios são públicos (vide os descontos para o INSS no contracheque de cada um). A pessoa podia escolher se esses descontos iriam para um sistema público ou privado.
Bem, o governo, que com a crise mundial enfrenta dificuldades para pagar seus compromissos financeiros, tomou essa medida, que está agora no Congresso e desperta as mais apaixonadas discussões. Entre os taxistas que conversei, pelo menos, o répúdio é geral: todo mundo diz que o governo quer é "hacer caja".
Hoje, ao final do dia, houve um grande protesto contra a medida, que reuniu trabalhadores das empresas de previdência privada, líderes políticos e sociais.
Terminei o que tinha que fazer e fui correndo para lá. Valeu a pena. Fiz bons contatos e até arrisquei algumas fotos. Vejam aí:

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

A dança do Ciço

Não sei como o prefeito de Maceió, Cícero Almeida (PP), conseguiu se reeleger no último domingo, e ainda com 81% dos votos. O cabra deve ser bom mesmo, porque com um vídeo como esse da oposição jogando contra qualquer um cairia pelas tabelas... É a eleição no fim, mas ainda fazendo a alegria da turma.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Em tempos de campanha eleitoral...

Fico me perguntando, em meio a tantas promessas, quem de fato acredita nos políticos. Eu achei um político em quem acreditei: é o Zoínho. O cara demostra uma sinceridade rara, projetos autênticos, simpatia ímpar. Um exemplo para nossos deputados, senadores e juízes.



terça-feira, 9 de setembro de 2008

Not so ready for the floor



Além dos relatos impagáveis do repórter-figura que está cobrindo um congresso internacional de naturismo na Paraíba, a notícia abaixo foi outra a alegrar o início de tarde por aqui:

Argentino comemora com pirueta e quebra a perna, mas gol é anulado

Aos 5 minutos do primeiro tempo, o argentino Fabián Espíndola tocou de cabeça e abriu o placar para o Real Salt Lake sobre o Los Angeles Galaxy, sábado, pela MLS (principal liga de futebol dos Estados Unidos). Para comemorar, deu uma pirueta no meio-de-campo. A alegria durou pouco: o atacante sofreu uma fratura na perna ao cair no gramado e o árbitro ainda anulou o gol, por impedimento.

A partida terminou empatada em 2 a 2. Espíndola foi substituído logo após a trapalhada em campo e deverá ficar seis semanas fora da equipe. Após o jogo, o argentino não conseguia explicar o que tinha feito.

- Estou envergonhado. Nunca mais vou fazer isso, não sei o que aconteceu. Já fiz esse salto milhões de vezes. Se eu soubesse que isso aconteceria jamais teria feito – disse Espíndola, que comemora seus gols com piruetas desde as categorias de base na Argentina.

Fonte: Globoesporte.com

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Cara-de-pau eleitoral



E a campanha eleitoral 2008 continua rendendo momentos comédia. Com a economia bombando, todos buscam um jeitinho que seja de surfar na onda de popularidade de Lula. No programa eleitoral do rádio em duas cidadezinhas do Ceará, o barbudo apareceu pedindo votos para dois candidatos. O marqueteiro _que trabalha para os dois, em cidades diferentes_ disse que foi tudo humor. É o famoso "se colar, colou". Aqui no link abaixo, do jornal “O Povo”, a performance nada convincente do locutor da campanha de Antonio Almeida (PTB), candidato na ilustre Acopiara. Não faltou a expressão-muleta clássica do lulismo: "Nunca antes na história deste país". Completo: nunca antes na história deste país Lula foi um cabo eleitoral tão cortejado e eficiente, e sem merecer isso tudo.

http://multimidia.opovo.com.br/acopiara.mp3

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Maquinado e o cu do papa




O guitarrista Lúcio Maia, fundador da Nação Zumbi, cometeu um dos melhores discos da música brasileira em 2007 com “Homem Binário”, sua primeira incursão solo.

Melhor ainda foi poder acompanhar aqui em Sampa vários shows do projeto, com o bonde invariavelmente colado na boca do pequeno palco do saudoso Studio SP da Vila Madalena. Era como se estivéssemos assistindo um dos melhores guitarristas do Brasil na sala de casa.

À medida que a banda (Lúcio, Toca Ogan na percussão, Dengue no baixo e DJ PG nos scratches) ia amadurecendo ao vivo, Lúcio Maia foi incorporando novos elementos e releituras ao shows, como versões para “Computer Love”, do Kraftwerk, e “I and I Survive”, do Bad Brains.

Em um show de janeiro de 2008 no festival Humaitá pra Peixe, no Rio, Maquinado soltou uma pérola da liberdade de expressão e do sarcasmo. Introduziu “Pau no Cu do Papa” _inédita em disco_ falando sobre a “necessidade de se exprimir”. “Você precisa lutar pelo que você quer dizer”, disse.

Misturando samplers da voz de João Paulo II em visita ao Brasil, Maia despeja idéias como “o papa fala uns 40 idiomas e só ouve ele mesmo” e “o papa é um Antonio Ermírio de Moraes indo lá na casa dos operários levando uma Cereser de final de ano, fazendo o papel dele, de grande empresário, visitando o Brasil, maior pais católico do mundo”.

“Porque aqui quem é da umbanda é catolico, quem é protestante é católico, todo mundo descamba pro católico.”

Também pergunta se a platéia confia “em um papa que não usa camisinha”. “Mó sujeira, dom”, comenta, após o “não” do público. Conclui dando ao papa o título de “símbolo-mor da industrialização do sentimento e da industrialização das almas”.

Adorei o caráter transgressor da performance, sobretudo em um país como o Brasil, de tradição católica arraigada até o osso e onde o ateísmo ainda é alvo de muito preconceito e desinformação.

E qual não foi minha surpresa ao ouvir Maia dizer, em um show aqui em Sampa posterior ao do Rio, que iria tocar apenas o instrumental da música, pois chegara à conclusão que não é bom mexer com a fé religiosa das pessoas. Àquela altura já conhecíamos a música, pois o show do Humaitá pra Peixe já havia vazado na net. Resultado: a mineirada entoou tão alto o refrão empalatório que Lúcio resolveu se soltar e cantou tudo de novo!

Baixe pelo link abaixo o show do Maquinado no Humaitá pra Peixe (ótima qualidade, gravado da mesa de som) e não perca a performance memorável de “Pau do Cu do Papa”, antes que a patrulha ideologico-religiosa enquadre Lúcio de vez!

http://rapidshare.com/files/107722049/Maquinado_-_ao_vivo_no_Humait__pra_peixe.zip

01 - Zumbi
02- Melô Do Bruce Lee
03 - I And I Survive
04 - Sem Conserto
05 - Samidarish
06 - Yekermo Sew
07 - Eletrocutado
08 - Gorilla Grip
09 - O Dia Do Julgamento + Computer Love
10 - O Som
11 - Juízo Final
12 - Je T aime Moi Non Plus + Cheater
13 - Vendi A Alma
14 - Pau No Cu Do Papa

crédito do disco: blog Som Barato

domingo, 24 de agosto de 2008

Obra em progresso




Comentamos ali embaixo a citação que Caetano Veloso fez na última semana a uma entrevista de Lobão, durante gravação de seu novo DVD.

"Obra em progresso" é um projeto muito interessante do Caetano, continuação do excelente "Cê" (2006), em que se juntou a músicos jovens em um disco de sonoridade crua e roqueira.

Foram uns cinco shows no Rio em que Caetano testou e apresentou novas músicas, que devem formar a base do "Transamba", como já está sendo chamado o novo disco. Lamentei não morar no Rio para ter conferido um desses shows.

O bom é que o projeto também se desenvolve em um site, o www.obraemprogresso.com.br, coordenado pelo antropólogo Hermano Vianna. O site traz vídeos de apresentações desses shows. Em um deles, de 11 de junho, Caetano tocou "You don´t know me", do Transa (1972), com participação da brasileira Karina Zeviani, da excelente banda de Washington Thievery Corporation. Dá uma olhada:

sábado, 23 de agosto de 2008

Outro candidato diferenciado

Temos uma nova pérola eleitoral. Agora na querida Natal. Esse Miguel Mossoró é um figura. Em 2004 ficou em terceiro na disputa para prefeito, com 18% dos votos. Prometia "mãozadas" em "gringos" que usassem drogas e cantassem mulheres na cidade.

Sua nova proposta: viagens para a Disney aos cem melhores alunos da rede municipal.

crédito pela história ao repórter Pablo Solano, do blog "Campanha no Ar", da Folha On Line.

Miguel Mossoró 2008:



E na versão 2004:

Pronto para o chão

Voce está? Pena que conhecia pouco os ingleses do Hot Chip (http://www.hotchip.co.uk/site/) quando vieram a Sampa em 2007. Serviu para ir atrás e não largar mais. Chamem de dance-punk, eletro-pop, o que seja. É música contemporânea da boa, para quem não tem medo de ir hasta el suelo.

Lembrando Chacal




Outro dia o Chacal (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ricardo_de_Carvalho_Duarte) apareceu no cinema. Um pequeno vídeo antes do filme, rápida passagem pela carreira do poeta. Lembrei como gosto. Fica aqui um dos seus _curto, objetivo e sábio.

Prezado cidadão

colabore com a Lei.
colabore com a Light.
mantenha luz própria.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Mais uma do lobo



Nesta semana Caetano gravou seu DVD "Obra em Progresso" no Rio. Abriu o show comentando a entrevista abaixo, que o Lobão concedera no dia anterior ao JB. Claro que o senso de oportunidade do "polemista oficial" continua aguçado _o "timing" das críticas à bossa nova e a João Gilberto é um exemplo_, mas vale a leitura. Lobão, ame-o ou deixe-o.

crédito da ilustração: www.renan.ilustra.zip.net/


"ESTOU DE SACO CHEIO DA ZONA SUL DO RIO"

Morando em São Paulo, Lobão ataca o modo de vida carioca, Gil e a bossa nova

Ricardo Schott

NATAL, RN

Durante a passagem de som para sua apresentação no festival Mada, em Natal, na sexta-feira, Lobão não largou da guitarra e orientou, com gestos, o novo guitarrista Lineu de Paula, sempre pedindo a ele mais intensidade na execução de músicas já naturalmente densas, como Universo paralelo, Tão menina e Sozinha minha. Foi com essa mesma intensidade que o cantor, hoje morando em São Paulo, desancou o Rio de Janeiro em entrevista ao Jornal do Brasil.

Por que você se mudou para São Paulo?

– Cara, eu adoro o carioca da Zona Norte, mas o da Zona Sul já estou de saco cheio. Fui criado em Ipanema, ia ao píer nos anos 70, conheço meu pessoal. Eu não tenho assunto com ninguém do Rio, nem gosto desse modelo do cara bombado, com a orelha parecendo uma couve-flor. No Rio você vê advogados falando igual a idiotas, dizendo "merreca" em vez de falar em dinheiro. Que credibilidade um sujeito desses tem? O carioca da Zona Sul, hoje em dia, é um cara que não paga para ir em show. Não paga nem meia, quer ser vip, entrar naquelas listas. Vai ao show, fica aporrinhando o saco e depois ainda vai ao camarim beber meu uísque.

O João Gilberto, que gravou sua música ‘Me chama’, vai tocar no Rio...

– Na verdade ele assassinou a música, né? Cortou até o "nem sempre se vê lágrimas no escuro", porque não entendeu. Tem que dessacralizar esse cara e essa coisa da bossa nova, que não passa de uma punheta que se toca de pau mole. Não tem ninguém que o João Gilberto tenha chamado mais para ir na casa dele do que eu. E eu nunca fui.

Mas você não gosta de bossa nova?

– Bossa nova é uma língua morta, assim como essas bandas de choro e samba que existem hoje, que ficam tocando naquele lugar sujo que é a Lapa. Tem que parar com essa coisa de ficar lambendo o saco de universotário marxista branquelo, essa coisa loser manos, petista, que virou maioria no Brasil. Porque o Brasil é o país da culpa católica, um país em que se valorizam as pessoas feias.

Na sua opinião, o que precisa mudar no Rio para você voltar?

– A gente precisa de um candidato que tenha coragem de falar que tem que acabar com as favelas. Nisso até Carlos Lacerda tinha razão. O que seria da Lagoa Rodrigo de Freitas se ainda tivéssemos a Praia do Pinto e a Catacumba lá? Tem que deslocar esse pessoal pra algum lugar, proibir até rico de fazer casa em encosta, porque dá uma chuva e cai tudo.

E o Gilberto Gil? O que você achou da saída dele do ministério?

– O Gil, cara... isso vem, para mim, antes de ele ser ministro. Ele é falso, vem com aquele discursinho de "a rebimboca da parafuseta" e não fala coisa com coisa. E ficam as pessoas falando "Nossa, você viu como ele é culto, como fala bem?". O Gil não fala nada, enrola todo mundo. O Caetano é que é legal. A gente já brigou muito mas ele vai lá, fala, se defende.

Você já tentou ver sua carreira, sua obra, em progresso?


– Já, porque muitas vezes fui chamado de maluco por coisas que, depois, viram que eu estava certo. Como quando deixei as gravadoras e afirmei que elas iriam acabar em menos de 10 anos. E olha aí o que está acontecendo. Fora essa luta pela numeração (dos CDs), que encarei praticamente sozinho. Com exceção de Frejat, Beth Carvalho e Ivan Lins, foram todos cagões.

Quem são eles?


– O Gil foi um deles. Tenho a lista toda desses caras em casa. Se um dia fizer minha autobiografia vou colocar. É importante lembrar que nunca briguei com as gravadoras, briguei com esse esquema viciado que está aí. Tanto que fui para a Sony BMG fazer o Acústico MTV.

The day after





Vexame em debate faz candidato ter aulas de dicção em Curitiba

DIMITRI DO VALLE
da Agência Folha, em Curitiba

Depois que sua aparição no debate entre os candidatos a prefeito de Curitiba virou um sucesso no YouTube, Lauro Rodrigues (PT do B) vai ter "aulas" para não repetir o fiasco e diz que vai tentar aproveitar a projeção inesperada.

O candidato está recebendo orientações de "amigos jornalistas e colegas de campanha". "Eles pedem para que eu tenha muita calma nos próximos debates. Também estou fazendo aulas de dicção", afirma.

Nervoso, Rodrigues passou todo o debate da Band, em 31 de julho, sem conseguir completar frases: "Fugiu, desculpe, corta. Estou muito nervoso. É a primeira vez que me candidato. Peço desculpas aos telespectadores", dizia ele no debate.

Uma edição de cinco minutos de suas aparições já foi vista por 210 mil internautas. Após o vexame, o candidato tenta reverter o prejuízo com a fama conquistada no YouTube.

"Não é bem a projeção que eu gostaria, mas vamos tentar aproveitar isso de alguma maneira", diz Rodrigues, 40, casado, com três filhos e um dos sócios da empresa de eletroeletrônica mantida pela família na capital paranaense.

O primeiro resultado obtido após o debate foi no contato com o eleitor. "Estou mais conhecido", afirma Rodrigues.

Ele conta que está tendo aulas com "amigos jornalistas" para participar dos próximos debates sem perder a seqüência de suas idéias. Para estar preparado, ele diz que tenta exercitar a exposição de suas idéias nas conversas com o eleitor na rua.

"Deu um branco naquele debate. Isso é normal, é humano. Não quer dizer que eu sou um despreparado. Pode acontecer com qualquer um. Já não aconteceu com você [repórter], quando tentou fazer uma pergunta e esqueceu o que ia falar?", pergunta o candidato.

"Acho que eu posso reverter esta imagem ao poder divulgar minhas propostas de campanha", afirma Rodrigues, que já foi fundador do extinto PL no Paraná e, desde 2006, está ao PT do B. "Sempre atuei nos bastidores, em contato com o eleitor. Nasci no meio da política. Sou o filho do [ex-deputado estadual no Paraná] Horácio Rodrigues", diz.

Pérola eleitoral

As eleições municipais deste ano ainda estão no começo, mas duvido que até lá alguém desbanque esse candidato de Curitiba, do expressivo PT do B, no quesito fluência e desenvoltura midiática.



Donkey quem?




Donkey ("Burro"), o novo do Cansei de Ser Sexy, a banda brasileira mais conhecida na gringa hoje, tem sido alvo, pelo menos na Inglaterra, de um certo "efeito manada" comum ao jornalismo cultural. Algum veículo de nome solta uma crítica desfavorável em tom blasé e o que se vê em seguida é uma chuva de variações sobre o mesmo tema. Como se ninguém tivesse coragem de ir contra a maré, só para se garantir. O Lúcio Ribeiro (http://lucioribeiro.blig.ig.com.br) conta, por exemplo, que o "Guardian" sentiu falta de alguma “surpresa" e dos “palavrões”. Para a “Uncut", “algo saiu errado”.
Para mim, o disco está sensacional. É rock de pista, o que esperar mais? Boas guitarras, tecladinhos retrô, ótimas melodias, arranjos coesos. E a Lovefoxx continua uma graça. Tire suas conclusões e aproveite que está de graça, em um projeto interessante da Trama:

http://albumvirtual.trama.uol.com.br/#

Début

Para inaugurar a confusão por aqui, um post daqueles de ir até o chão.
Nunca fui fã de mash-ups, mas estou perdendo o ceticismo.
Principalmente depois desta embolada arretada entre mr. Jackson e mr. Cobain: